Até que, em 2017, o poker ficou oficialmente em segundo plano com a fundação da FURIA. Se você perguntar para qualquer pessoa, vão falar que foi o bracelete da WSOP. Para mim foi épico, mas naquele momento eu estava melhor, já estava resolvido com as coisas.
- Teve o perrengue com dinheiro no começo e também o momento das lutas no Brasil.
- Eu só jogava torneios de dez dólares, e de repente me classifiquei em um satélite (torneios menores que dão vagas para torneios maiores) para jogar um torneio de mil dólares e ganhei.
- Talvez se não tivesse pessoas tão preparadas, a gente não iria conseguir vencer essa luta.
- Continuo jogando poker, vou jogar para o resto da vida, mas não corro o circuito e nem jogo online mais dez horas por dia que nem a molecada.
- Eu uso muito do poker, dos conceitos, da lógica, do jeito de ver os problemas e tomar decisões pela equidade.
Hoje em dia tem várias pessoas que falam, mas lá atrás não existia isso. Tenho minha vida basicamente dividida em três grandes áreas. A FURIA ocupa 80% do meu tempo, ficou um negócio muito grande, tem muita coisa legal e muito problema, dá trabalho para caramba. Sou sócio de uma holding nos Estados Unidos que tem investimento em várias startups. Ajudo essas startups em princípio de marketing, ajudo a crescerem, e tenho a vida do poker. Continuo jogando poker, vou jogar para o resto da vida, mas não corro o circuito e nem jogo online mais dez horas por dia que nem a molecada.
Mesmo com sua habilidade, de repente você pode passar um tempo sem ser lucrativo. Sempre fui um tipo de jogador que tive pouca variância comparado com outros jogadores. Eu evitava torneios muito caros, sempre mantive uma disciplina.
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Estava rico comparado com o que eu tinha antes, porque não tinha nada (risos). Foi muito legal, foi um impacto gigante no Brasil, teve matéria em toda a mídia, foi irado. Mas o impacto na diferença na minha vida pessoal foi um torneio de poker que joguei anos antes no Uruguai. Eu só jogava torneios de dez dólares, e de repente me classifiquei em um satélite (torneios menores que dão vagas para torneios maiores) para jogar um torneio de mil dólares e ganhei.
Mas a adrenalina da FURIA é muito potente, tem muito assunto diferente para a mente. Eu uso muito do poker, dos conceitos, da lógica, do jeito de ver os problemas e tomar decisões pela equidade. Sem o poker, eu não seria bem sucedido em negócios em nenhuma hipótese. Eu me conheço sem o poker nos negócios, e eu estava fracassado. O poker me doutrinou, me educou a não fazer cagadas que eu fazia antes.
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André Akkari não é mais o melhor jogador de poker do Brasil, mas segue como o mais famoso. Hoje aos 48 anos, ele mora em Miami (EUA) e dedica praticamente todo o seu tempo ao cargo de Co-CEO da FURIA (time de eSports). Akkari admite que está « praticamente aposentado » do jogo de cartas, mas ainda disputa alguns torneios, como o High Roller do BSOP (Brazilian Series of Poker) nos últimos dias em São Paulo. Na semana que vem tem um torneio em Vegas gigantesco.
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Não posso falar que sofri preconceito porque sei o que significa um verdadeiro preconceito. A gente vê o que mulheres sofrem, o que pessoas pretas sofrem, a quantidade de homofóbicos que tem no Brasil. Então, o preconceito contra o poker é até meio bobo.
Não estudo tanto, às vezes rioplay estudo em viagem que vou com muita gente boa, então vou aprendendo, me adaptando e tudo mais, mas mesmo assim o intelecto que tenho de poker ainda me faz ser competitivo. Com o passar dos anos, porém, Akkari decidiu diminuir o ritmo. Ele já estava cansado da rotina de disputar o circuito mundial e de jogar online cerca de 12 horas por dia, sem conseguir passar muito tempo com sua esposa e suas duas filhas.